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INFO MAUÁ Mauá
edição 35 - setembro de 2012

Procura por crédito no Brasil registra alta de 8%

A demanda por crédito  ascendeu em julho deste ano e, também, comparada ao mesmo mês de 2011. De acordo com dados da Serasa Experian, o aumento foi de 8% de junho para julho de 2012 e 2% superior confrontada com o  mesmo período do ano passado, o que ocasionou a primeira alta interanual em nove meses - a última havia sido em outubro de 2011.

A empresa avaliou que os motivos para a crescente procura por crédito foram os sucessivos cortes nas taxas de juros, os incentivos fiscais por meio de reduções do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e a gradual redução do nível de inadimplência do consumidor.

Para o professor do curso de Administração e superintendente financeiro do Instituto Mauá de Tecnologia, Francisco José Olivieri, teoricamente a volta do crédito é boa para a economia nacional. ?Demanda por crédito significa consumo de algo e isso faz com o que a atividade econômica acelere. O que precisa ser analisado é se esses 8% serão levados para o consumo ou para cobrir dívidas já existentes, o que tornaria esse crédito algo ruim?, afirma.

Notou-se, ainda, que o aumento aconteceu principalmente nas classes de renda mais baixa. Consumidores que ganham até R$ 500,00 por mês expandiram a sua demanda por crédito em 7,9%, em comparação com junho. Os que apresentam renda entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00, 8%, e aqueles com renda entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00 mensais, em 8,2%.

Já para consumidores que possuem renda de R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00, o uso do crédito aumentou em 7,6%, para os de renda de R$ 5.000,00 a R$ 10.000,00, 6,7% e, acima de R$ 10.000,00, 6,4%.

De acordo com a Serasa, a camada de renda mais baixa da população, que ganha até R$ 500,00 mensais, registrou maior procura por crédito, com alta de 3,2%, no acumulado do ano até julho frente ao mesmo período do ano passado. Como justificativa, a empresa afirma que esse resultado é causado pelo aumento do salário mínimo. Mas Olivieri não vê esse aumento como uma explicação. ?As pessoas estão utilizando o crédito para cobrir débitos que não foram pagos ainda. Os consumidores de renda mais baixa deveriam destinar até 30% do salário para suas despesas com financiamento e consumo financiado, mas utilizam mais do que isso para a compra de carros e outros bens de consumo?, explica. As outras camadas reduziram o uso do crédito, com destaque para os que possuem vencimentos entre R$ 2.000,00 e R$ 5.000,00, com -7,6%.

Na análise por região, a demanda aumentou mais no Sul, Centro Oeste e Nordeste, com 8,8%, 8,7% e 8,6%, respectivamente, em julho frente a junho. No Sudeste, houve avanço de 7,7% e no Norte apenas 3,8%. Apesar disso, no acumulado do ano, a região Norte é a que ainda apresenta a maior taxa de expansão da demanda dos seus consumidores por crédito, com 1%.

De janeiro a julho, porém, a busca por crédito registra um declínio de 6% sobre o mesmo período de 2011. Para o professor, isso se dá por causa do atual endividamento dos consumidores. ?As pessoas não têm mais como se endividarem. Estão impossibilitadas de fazerem novos empréstimos?, relata.

Olivieri também acrescenta que os setores  com maior venda devido ao aumento do crédito foram os de eletrodomésticos e automóveis, decorrente principalmente da  redução do IPI.

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