Os riscos da suplementação de vitaminas por conta própria
O consumo de vitaminas aumentou devido à pandemia. Mas especialista alerta para alguns malefícios da ingestão sem orientação profissional
Com a maior preocupação com a saúde e o bem-estar, muitas pessoas passaram a consumir vitaminas no intuito de também melhorar o sistema imunológico
Um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) apontou um aumento na busca por suplementos alimentares e multivitamínicos no Brasil, o que pode ter ocorrido por causa da pandemia da Covid-19. Com a maior preocupação com a saúde e o bem-estar das pessoas, muitos passaram a consumir vitaminas no intuito de também melhorar o sistema imunológico.
Segundo a Dra. Doroti Baraniuk, médica do Trabalho do Instituto Mauá de Tecnologia, qualquer pessoa pode consumir esses suplementos, desde que seja constatado, clínica e laboratorialmente, o déficit de determinada vitamina. "Os malefícios desse consumo geralmente advém da suplementação não orientada", explica.
Passar da dose diária recomendada de alguns nutrientes pode até mesmo aumentar o risco de problemas de saúde. A doutora explica que o consumo sem orientação de vitamina A, por exemplo, pode provocar queda de cabelo, lábios rachados, pele seca, enfraquecimento dos ossos, dores de cabeça, elevações dos níveis de cálcio no sangue e um distúrbio raro caracterizado pelo aumento da pressão dentro do crânio, denominado hipertensão intracraniana idiopática. "A vitamina A é necessária para o funcionamento das células nervosas sensíveis à luz na retina do olho e, com isso, preservar a visão noturna. Ela também ajuda a manter saudável a pele e o revestimento dos pulmões, do intestino e do trato urinário, e protege contra infecções, mas o uso excessivo pode trazer riscos".
Dra. Doroti Baraniuk, médica do Trabalho do Instituto Mauá de Tecnologia
A Dra. Doroti ainda aponta outro exemplo de malefícios da ingestão não orientada de suplementos, que é a intoxicação por vitamina D, em que pode haver perda de apetite, náuseas e vômitos, fraqueza e nervosismo. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM, 2014), a vitamina D tem como papel fundamental a manutenção da massa óssea, porém alguns estudos têm sugerido que ela pode influenciar também o sistema imunológico.
Para saber se há carências de vitaminas e se é necessário corrigi-las, é importante buscar um profissional de saúde que solicitará exames e avaliações. "Esses profissionais, ao prescreverem um suplemento vitamínico, analisam a dieta, estilo de vida, idade, região do país onde mora, sinais e sintomas, presença de outras doenças, uso de medicamentos, aspectos emocionais e de renda. Pode-se ainda, quando possível, dosá-las em laboratórios", explica.
Como afirma a doutora, o consumo adequado de vitaminas e minerais é importante para a manutenção das diversas funções metabólicas do organismo, atuando na prevenção do estresse oxidativo (desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a remoção deles pelas defesas antioxidantes do organismo). Dessa forma, a ingestão inadequada desses micronutrientes pode potencialmente levar a estados de carência nutricional, sendo conhecidas diversas manifestações patológicas por ela produzidas. "Na literatura médica, é possível verificar inúmeras associações entre estresse oxidativo e o desenvolvimento de problemas de saúde como doenças degenerativas, câncer, diabetes e doenças cardiovasculares", finaliza Dra. Doroti Baraniuk.
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