Mauá testa equipamento de controle de poluição de ar por veículos automotores
Novas tecnologias prometem mais efetividade para identificação dos veículos que mais poluem SP e, com isso, melhorar a qualidade do ar.
No Brasil, o Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (PROCONVE) é definido pela Resolução CONAMA 18/86 e voltado para a fabricação de veículos com tecnologias limpas. Como resultado, já reduziu as emissões de poluentes de novos veículos, que emitem cerca de cinquenta a cem vezes menos do que veículos antigos, da década de 1980, mesmo em boas condições de manutenção. O programa também prevê a conscientização do público sobre as questões ambientais. Para isso, a tecnologia do sensoriamento remoto é a mais eficaz por ter altíssima capacidade de medições das emissões dos veículos em trânsito. Trata-se de uma aferição feita a distância, na rua, em trânsito normal, no estilo de um radar de velocidades, que não importuna os usuários. É um equipamento que avalia as emissões de CO, HC, NOx, CO2 e opacidade, com possibilidades para outros poluentes.
O Instituto Mauá de Tecnologia interessou-se pelo tema e permitiu a instalação do equipamento no Campus de São Caetano do Sul em 29 e 30 de agosto para uma avaliação inicial, quando foram medidos mais de mil veículos. "Futuramente, por meio do convênio com a EnvironMentality, a ideia é subsidiar tecnicamente o CONAMA e os órgãos de Meio Ambiente para a aplicação do sensoriamento remoto para a detecção dos veículos de alta emissão e recomendar a sua manutenção corretiva aos usuários", destaca o Chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio.
Em situações de uso real, o equipamento permite a identificação de veículos com boa manutenção e emissão baixa, ou com emissão muito alta para os padrões em que ele foi fabricado, os que precisam de uma revisão ou, ainda, os modelos de veículos com valores típicos de emissão superiores aos seus pares e que devem ser examinados em detalhe pelos órgãos certificadores em busca de problemas de durabilidade dos sistemas de controle de emissão ou problemas no processo de certificação.
Tecnologia em destaque
Essa tecnologia foi desenvolvida pela Universidade do Colorado nos EUA há mais de 20 anos e vem sendo comprovada em vários estados americanos que a implantaram como meio de conscientização da população. Mais recentemente, em 2017, os prefeitos de Londres e Paris implantaram programas semelhantes e a Diretoria Geral de Meio Ambiente da Comissão Europeia defende a extensão do programa a outras cidades europeias, como já ocorreu em Madrid e Sófia.
Nesses programas, a informação é imediatamente transmitida aos usuários, como mostram as figuras abaixo; os proprietários de veículos com baixa emissão em relação ao seu próprio padrão podem ser notificados positivamente como reconhecimento da boa prática de manutenção preventiva.

Por sua vez, motoristas com veículos detectados como de alta emissão, em relação ao que seria possível para aquela marca e modelo, poderão ser orientados a proceder à manutenção corretiva.

Como funciona o equipamento de sensoriamento remoto?
O equipamento mede constantemente a quantidade de poluentes na rua por meio da absorção de infravermelho e ultravioleta. Após a passagem de cada veículo, ele subtrai a quantidade existente antes de o veículo chegar, das medições após a sua passagem e determina as emissões individuais do veículo. O equipamento também mede a velocidade e aceleração do veículo, calcula a potência que está sendo utilizada e afere a emissão pela condição energética e de consumo de combustível, de forma que o resultado não esteja relacionado com a maneira de dirigir. O sistema também conta com uma câmera de vídeo que permite a leitura da placa para a identificação da marca, modelo e ano de fabricação do veículo para saber qual é o seu padrão tecnológico e, assim, aferir se o veículo está bom ou ruim.

Na tela do computador que controla o equipamento, aparecem todos os dados e valores medidos, com a fotografia do veículo testado e os resultados resumidos dos últimos 4 veículos.

A medição leva um segundo e cada equipamento pode medir mais de um milhão de veículos por ano, que pode substituir o antigo programa de inspeções por ser mais barato e direcionar as suas ações apenas para os veículos mais poluidores, sem incomodar os proprietários que fazem a manutenção preventiva dos seus veículos.

Sensoriamento Remoto no Brasil e o envolvimento do Instituto Mauá de Tecnologia
"A prefeitura de São Paulo utilizou este método para avaliar a real eficácia do Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em uso, que funcionou entre 2009 e 2013 na cidade. Naquela época, a Remote Sensing do Brasil, representante da Enviromental Systems Products, que produz esse equipamento, prestou os serviços de medição e a empresa de consultoria EnvironMentality fez um estudo estatístico de correlação de dados que mostrou grande aderência aos resultados do programa convencional. Desde aquela época, esse método vem ganhando espaço internacionalmente e atualmente essas duas empresas vêm-se dedicando à implantação do Sensoriamento Remoto em substituição às inspeções anuais centralizadas e ao monitoramento das frotas de veículos em tempo real", diz Romio.

A seguir, o Centro de Pesquisa compartilhou com a InfoMauá a comparação dos resultados e, com isso, alguns mostram como um veículo “mexido” emite muito mais do que outro (apesar de ser um modelo comercial), bem como evidencia as vantagens de um veículo híbrido. Veja!
  
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