Saiba como o período das Eleições afeta a economia do Brasil
O professor e coordenador do curso de Administração da Mauá, Ricardo Balistiero, traça um panorama sobre os últimos três meses de 2018 do País
De acordo com o professor e coordenador do Curso de Administração da Mauá, Ricardo Balistiero, estabilidade em nível baixo não resolve os problemas acumulados nesses quatro anos.
Estamos vivendo um cenário econômico de muitas incertezas. Com a proximidade das eleições, o mercado fica ainda mais agitado em função das indefinições sobre quem assumirá o poder, o que acaba atrasando projetos de investimentos e ações de consumo que demandem crédito de médio e longo prazos. São três meses de muita instabilidade, o que debilita a atividade econômica do País.
Para o professor e coordenador do curso de Administração da Mauá, Ricardo Balistiero, considerando que a economia vem de anos muito negativos no tocante ao crescimento do PIB e queda do emprego e renda, as instabilidades do período eleitoral apenas retardam um processo mais acelerado e sustentado de retomada. A estabilidade em nível baixo não resolve, portanto, os problemas acumulados nesses quatro anos.
Comparação com outras eleições
Podemos traçar um paralelo entre a eleição de 2018 e as eleições de 1989 e 2002, quando o cenário político exerceu muita influência no econômico. Há algumas diferenças, referentes à relativa tranquilidade externa vivida atualmente (dadas as reservas internacionais e as opções de intervenção na taxa de câmbio à disposição do Banco Central), e à inflação, que está dentro da meta. O grande problema de 2018 é a questão fiscal, menos presente em 2002 e muito presente em 1989.
O que podemos esperar para nossa economia?
Os sinais economicamente positivos só irão aparecer depois dos resultados das urnas e das primeiras ações do próximo governo.
Para Balistiero, os sinais positivos só ocorrerão após o resultado das eleições e dos primeiros sinais emitidos pelo novo governo. Na hipótese de o governo eleito apresentar medidas que se apresentam como soluções fáceis para problemas complexos, resvalando para o populismo, teremos muitos problemas à frente. Por isso, se o novo Presidente eleito apresentar com clareza os desafios e os sacrifícios que precisarão ser enfrentados, a partir do 1.º semestre de 2019, abre-se a perspectiva para o encaminhamento de soluções para as graves distorções macroeconômicas que afligem o Brasil.
Não existem soluções fáceis para problemas complexos. "Também esperamos que o eleito não tome por base os "princípios da contraindução", segundo os quais uma experiência que deu errada deve ser repetida até dar certo. Acreditamos que o Presidente eleito possa abrir diálogo com a sociedade e com o mercado e, caso cometa erros na condução da política econômica, que sejam erros novos", conclui Balistiero.
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