Pesquisa da Mauá conecta tecnologia aeroespacial, cooperação internacional e formação de estudantes
Iniciativas lideradas pelo Prof. Vanderlei Parro ampliam a atuação do Instituto Mauá de Tecnologia em sistemas críticos e aproximam alunos de projetos de pesquisa com instituições internacionais.
O Instituto Mauá de Tecnologia vem ampliando sua presença em pesquisas de alta complexidade conhecidas no mundo como Big Science, que envolve sistemas complexos, computação e tecnologia aeroespacial. À frente de parte dessas iniciativas, o Prof. Vanderlei Parro coordena projetos que combinam desenvolvimento tecnológico, cooperação internacional e oportunidades de formação para estudantes.
No Brasil, o projeto “Desenvolvimento de software e hardware para aplicações críticas” conquistou o 13.º lugar nacional na categoria Tecnologias Digitais da Chamada CNPq n.º 23/2025, reconhecimento que evidencia a relevância da pesquisa aplicada desenvolvida pela Mauá.
A iniciativa trabalha com sistemas eletrônicos e computacionais de alta confiabilidade e tem entre seus principais avanços a consolidação das plataformas de simulação e emulação SimuCam e QEMULA, desenvolvimento proprietário da Mauá. As tecnologias permitem reproduzir e testar, em ambientes virtuais e de tempo real, o comportamento de sistemas complexos antes de sua construção física, contribuindo para antecipar falhas, reduzir riscos e otimizar o desenvolvimento de soluções, bem como implicações significativas no custo de desenvolvimento dos projetos.
As aplicações alcançam setores estratégicos. Na área aeroespacial, por exemplo, as ferramentas podem auxiliar a validação de sistemas capazes de lidar com condições como radiação e variações térmicas. Em defesa, contribuem para o desenvolvimento de sistemas mais resistentes a interferências e falhas. Já na infraestrutura médica, podem apoiar soluções eletrônicas de alta confiabilidade para equipamentos críticos.
A pesquisa também ultrapassa as fronteiras nacionais. Entre 2026 e 2028, o Prof. Vanderlei Parro atuará como Professor Visitante na Université PSL (Paris Sciences et Lettres), na França, desenvolvendo o projeto “CubeSat’s Hardware-in-the-Loop: Risk Analysis and Machine Learning”, em parceria com o CENSUS (Centro de Nanosatellites[IG1] em Ciências do Universo).
A iniciativa integra conhecimentos brasileiros e franceses para desenvolver o framework VANESSA (Versatile Architecture for Newspace Environmental Sensing, Simulation and Analytics), voltado à análise de riscos em pequenos satélites, os CubeSats. A proposta combina simulação, emulação e aprendizado de máquina para antecipar possíveis falhas e avaliar a robustez de componentes antes de sua utilização em missões espaciais.
A colaboração internacional é resultado de uma relação de pesquisa construída ao longo dos anos entre pesquisadores da Mauá e instituições francesas, incluindo trabalhos relacionados com as missões CoRoT e PLATO. A aproximação amplia a inserção do Instituto no ecossistema aeroespacial internacional e abre espaço para novos projetos e parcerias.
Da pesquisa à sala de aula
Um dos principais diferenciais dessas iniciativas é transformar a pesquisa de fronteira em experiência prática para os estudantes. Por meio de programas de Iniciação Científica e Pós-Graduação, alunos da Mauá podem participar de projetos relativos a sistemas aeroespaciais e ter contato com ferramentas, metodologias e padrões utilizados internacionalmente.
Entre as experiências estão o desenvolvimento de firmwares em FPGAs e softwares embarcados, além do uso de ferramentas como QEMU, GitLab (CI/CD), gerenciamento de contêineres e protocolos de comunicação específicos do setor espacial, como SpaceWire e RMAP.
A internacionalização também chega diretamente aos estudantes. O ex-aluno de Engenharia e pesquisador da Mauá, Luiz Henrique Antoniassi Santos, realizará um estágio de seis meses nos laboratórios do CENSUS, em Paris, como parte da cooperação com a instituição francesa. A experiência permitirá seu contato direto com pesquisadores e especialistas europeus em NewSpace e, posteriormente, a disseminação desse conhecimento entre os pesquisadores do NSEE.
Além da experiência individual, o estágio fortalece a conexão entre as equipes brasileiras e francesas. O conhecimento adquirido no exterior poderá ser incorporado às pesquisas desenvolvidas na Mauá, mantendo a linha de pesquisa ajustadas às discussões e tecnologias mais avançadas do setor.
Para o Brasil, iniciativas como essa representam um avanço na participação do País no desenvolvimento de tecnologias espaciais. Ao produzir hardware, software embarcado e sistemas de simulação de alta complexidade, a Mauá contribui para ampliar a capacidade nacional de pesquisa aplicada e, ao mesmo tempo, insere seus estudantes em projetos conectados a desafios científicos e tecnológicos de alcance internacional.
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