Construir, adaptar e abrir novos caminhos: a trajetória de Amauri Ceceli
Quase 30 anos depois de formado, ex-aluno do Instituto Mauá de Tecnologia reúne experiências em grandes empresas, empreendedorismo e desenvolvimento imobiliário e começa uma nova etapa profissional nos Estados Unidos
Quando ingressou no Instituto Mauá de Tecnologia, em 1997, Amauri Ceceli não imaginava quantos caminhos sua formação em Engenharia Civil ajudaria a abrir. Quase três décadas depois, sua trajetória reúne experiências em grandes empresas, empreendedorismo, desenvolvimento imobiliário e construção de empreendimentos residenciais. Mais recentemente, esse percurso ganhou um novo capítulo com a mudança para os Estados Unidos.
A escolha pelo Instituto Mauá de Tecnologia nasceu da identificação com as ciências exatas e com o universo de projetos e construção. No ensino médio, matérias como Álgebra, Geometria e Física estavam entre as disciplinas em que Amauri mais se destacava. A influência da irmã, que cursava Arquitetura, também despertou seu interesse pela área.
Na época do vestibular, Amauri chegou a ser aprovado na primeira fase da USP, mas uma visita ao Instituto Mauá de Tecnologia acabou sendo decisiva.
“Fiquei muito impressionado com a modernidade da estrutura, os laboratórios e, principalmente, a qualidade e a proximidade do corpo docente. A identificação foi tão grande que praticamente não segui para a segunda fase da USP. Eu queria estudar aqui”, relembra.
Formado em Engenharia Civil em 2001, iniciou a carreira ainda durante a graduação. Como estagiário, participou da ampliação do Hospital Santa Marcelina e da construção do novo prédio da Faculdade que leva o mesmo nome.
Depois de formado, passou duas experiências que ajudariam a ampliar sua visão de negócios. Na Accenture, atuou como consultor e, na Volkswagen, trabalhou na área de Supply Chain. Em ambientes diferentes da construção civil, teve contato com processos, planejamento, gestão e tomada de decisão, conhecimentos que, mais tarde, levaria para o empreendedorismo.
Em 2004, após concluir um MBA, Amauri decidiu abrir o próprio negócio ao lado da irmã Alessandra e da cunhada Elizabeth, ambas arquitetas. Juntos, fundaram a Braido Ceceli Arquitetura e Construções.
O que começou com empreendimentos imobiliários de pequeno e médio portes evoluiu para projetos residenciais verticais. Entre eles estão o Edifício Miró, em Perdizes, e o Jardins de Monet, em São Caetano do Sul, residencial de alto padrão com 72 unidades e 18 pavimentos.
Com o crescimento dos projetos, Amauri passou a acompanhar de perto diferentes etapas do desenvolvimento imobiliário. Seu trabalho envolvia desde análise e aquisição de terrenos e os estudos de viabilidade até a incorporação e coordenação de projetos, planejamento, orçamento, construção, gestão financeira e relacionamento com investidores e clientes. A atuação também incluía a gestão financeira dos empreendimentos e o relacionamento com investidores e clientes.
Mais do que acompanhar cada etapa, essa experiência colocou-o diante de decisões que exigiam uma visão ampla do negócio e da capacidade de rever planos quando necessário.
Quando mudar de plano faz parte do projeto
Um dos empreendimentos mais marcantes de sua carreira foi o Touch Studio Jardim. Inicialmente concebido como um projeto comercial, precisou ser completamente repensado diante das mudanças do mercado.
A solução foi transformar o empreendimento em um edifício residencial de studios, numa época em que esse conceito ainda começava a ganhar espaço em São Paulo. O projeto incorporou diferentes soluções tecnológicas aos apartamentos. “A experiência deixou uma das principais lições da minha carreira profissional: saber compreender mudanças e adaptar estratégias. Às vezes, a melhor solução não está em insistir no plano original, mas em entender o problema, perceber as mudanças e ter coragem para mudar de direção”, afirma.
Essa capacidade de adaptação também está presente neste momento. Depois de mais de duas décadas construindo essa trajetória, Amauri e sua família decidiram mudar-se para os Estados Unidos. A mudança foi motivada inicialmente pelo desejo de apoiar o sonho de um dos filhos de construir uma carreira na Medicina no País e abriu uma nova oportunidade profissional.
Atualmente, ele busca adaptar sua experiência em Engenharia, construção e desenvolvimento imobiliário às características do mercado norte-americano. Esse novo momento envolve conhecer outros métodos construtivos, normas, processos de aprovação e modelos de gestão.
Apesar das diferenças entre os dois mercados, Amauri identifica fundamentos que permanecem essenciais: planejamento, controle de custos, qualidade, segurança, liderança e capacidade de resolver problemas.
Uma formação que ultrapassa a sala de aula
Ao olhar para a própria trajetória, Amauri reconhece que a contribuição da Mauá foi além do conhecimento técnico.
“A Mauá me deu uma formação técnica muito sólida, mas a contribuição foi além disso. Aprendi a raciocinar como engenheiro: entender um problema, analisar variáveis, buscar alternativas e assumir responsabilidade pelas decisões tomadas”, conta.
Durante os cinco anos de graduação, manteve uma rotina intensa de dedicação aos estudos e, ao mesmo tempo, participou ativamente da Atlética e da vida universitária.
No trabalho de conclusão de curso, orientado pelo professor Zafer, abordou a construção de pontes pelo método dos segmentos empurrados, tendo a Rodovia dos Imigrantes como estudo de caso. O trabalho recebeu nota máxima e foi apresentado na Eureka, evento que, 25 anos depois, acabaria reconectando Amauri à Mauá após ele se reconhecer numa fotografia publicada pela Instituição.
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