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INFO MAUÁ Mauá
edição 37 - novembro de 2012

O Brasil e a economia criativa

Pensei em começar o artigo criticando a forma como nosso governo encara a Economia Criativa, mas não quero ser chamado de pessimista ou de traidor da pátria por aqueles que  acreditam  existir uma única verdade. Vou começar criticando a mim mesmo para ilustrar como mudar faz parte do que somos.

Quando em 2008 respondi a uma aluna que Economia Criativa poderia ser apenas uma moda efêmera, não imaginava que ao final de minha tese de doutorado  defenderia que as indústrias criativas, essencialmente de videogames, deveriam ser  mais bem tratadas por nós, professores universitários, e principalmente pelo governo.

Feito o ?mea culpa?, quero registrar minha frustração com o plano de ações apresentado pela Secretária de Economia Criativa (SEC) em 2011. Assim como em outras áreas, estamos atrasados nesta. Enquanto outros países têm dados sobre suas indústrias criativas, estamos engatinhando ainda sem rumo. Primeiro, a própria criação da SEC dentro do Ministério da Cultura mostra um erro já pontuado pelo relatório de 2010 da UNCTAD, que ilustra como ações concentradas e não interministeriais não evoluem. Não que fosse melhor ficarmos parados, mas as próprias atividades planejadas pela SEC mostram que esta dependerá da boa vontade de outros ministérios, que darão ou não prioridade às ações.

Segundo, é a quase nenhuma prioridade dada à indústria de videogames no Brasil. Sem tirar os méritos das demais indústrias criativas, a de videogames tem sido uma das mais dinâmicas e inovadoras há mais de 20 anos. Não imagino termos uma empresa criando um console concorrente ao PS3 ou XBOX360, mas poderíamos sem dúvida desenvolver softwares de entretenimento.

Precisamos definir quais são nossas prioridades dentro da Economia Criativa. Vamos investir no que já temos, como o artesanato local que depende de turistas, ou em novas tecnologias, que nos permitirão exportar produtos e serviços criativos trazendo recursos e empregos de maior valor? É óbvia a importância de mantermos pessoas em suas comunidades gerando renda local, mas essa deve ser a prioridade para o futuro? Se pensarmos assim, estaremos fechando os olhos para o que já fizemos de correto no passado. Ou alguém pode negar que o investimento na Embrapa nos permitiu ser hoje uma potência agrícola, não só pela vastidão de nossas terras, mas também pela produtividade de nossas tecnologias?

Precisamos pensar no que nos fará competitivos no futuro e dedicar recursos financeiros, políticos e acadêmicos para chegarmos lá. Sem essa mentalidade, até o bem intencionado Ministério da Cultura não conseguirá desenvolver mais do que alguns setores já vinculados a ele. No entanto, a Economia Criativa não é só cultura, mas  também tecnologia, ciência e mão-de-obra qualificada, que forma setores criativos inovadores e com potencial de desenvolvimento social.

Marcos V. Cardoso é professor de Planejamento Estratégico e Sustentabilidade do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia

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