Luis Eduardo Bucciarelli, egresso da Mauá, comenta sobre os desafios na área da Engenharia Elétrica
Formado em Engenharia Elétrica com ênfase em eletrotécnica na turma de 1986, Luis Eduardo Bucciarelli conta sua trajetória profissional. “Comecei estagiando na empresa CNEC, uma antiga empresa de consultoria do Grupo Camargo Corrêa, na área de projetos; depois fui para a estatal Mafersa, que hoje pertence à Alstom, no controle de qualidade. Como era estatal, não havia possibilidade de efetivação. Fui, então, procurar outro emprego e daí em diante comecei a construir minha carreira.” Hoje, o executivo atua como diretor geral da divisão Power Quality da Eaton Brasil, multinacional líder mundial no fornecimento de componentes e sistemas elétricos, hidráulicos, automotivos, aeronáuticos e de filtração.
Luis Eduardo comenta que o mais importante na época do estágio foi perceber o que não queria fazer. “Essa época foi boa para adquirir conhecimento e sentir o ambiente coorporativo, mas eliminar funções e áreas que não tinham que ver com minha personalidade foi fundamental para a construção de minha carreira”, analisa Bucciarelli. O engenheiro conta ter encontrado o que desejava quando foi trabalhar com engenharia de aplicação, pois esta propõe soluções aos clientes e obriga-o a utilizar a criatividade. “Quando cheguei à ABB, empresa-líder em tecnologias de energia e automação na área comercial, não saí mais desse setor.”
Hoje, o mercado é bem diferente daquele de 1980, quando poucos engenheiros saíam da faculdade para atuarem na profissão. Ao contrário, nunca se sentiu tanto a falta de mão de obra qualificada como neste século. “Se, na minha época, o inglês era fundamental, hoje passou a ser item básico se você pretender trabalhar com engenharia. Havia um professor na Mauá, o Cavalari, que dizia que o engenheiro precisa saber duas matérias: a física e o inglês. Ele estava correto. Na ABB participei, em começo de carreira, de uma reunião na qual o meu inglês fez a diferença e me abriu portas. A partir desse dia, minha carreira decolou dentro da companhia”, comenta Luis Eduardo.
Contudo, para o diretor da Eaton, o que falta hoje no jovem profissional recém-saído das salas de aula são: paciência e a percepção de que saiu de um ambiente generalista para um especialista. “Hoje, os jovens são muito imediatistas, sem paciência para investir no crescimento profissional dentro de uma empresa e, por isso, seu currículo é recheado de passagens rápidas, o que pode depreciar a maneira como as pessoas analisam seu conhecimento. A falta de mão de obra colabora para que esse cenário se intensifique, porém o mais importante é o jovem profissional entender que, sem profundidade, será mais difícil alcançar os patamares almejados para sua carreira.”
Sobre a especialização, Luis Eduardo Bucciarelli acredita que decidir a respeito de pós-graduação e mestrado dependerá da área em que o profissional quer trabalhar, por isso sugere que esses estudos se iniciem quando a carreira atingir certa maturidade. “Em algum momento de sua carreira, terá de se especializar em alguma área. Por isso, deverá sempre buscar um conhecimento dentro daquilo que você almeja.”
Por fim, o egresso da Mauá deixa a dica para os que pretendem construir uma carreira de sucesso: aproximem-se muito do seu superior imediato para buscar orientação, checar o trabalho que está sendo feito; troquem ideias com os pares, sejam abertos a críticas e a qualquer tipo de feedback. “E isso não deve ser só para o início de carreira: é para toda a vida”, finaliza Bucciarelli.
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