Logo Logo
INFOMAUÁCOMUNIDADE Mauá
edição 116 - agosto de 2021

Etanol brasileiro ganha destaque internacional para redução de emissão de gases de efeito estufa

A alternativa é mais barata e viável no curto prazo em comparação ao carro elétrico

O Brasil pode reduzir suas emissões de forma muito rápida e barata com o aumento da produção e do uso de etanol

Na corrida mundial para a descarbonização do planeta, muitos países estão projetando utilizar carros elétricos em maior quantidade e em curto prazo, principalmente na Europa. No entanto, o Brasil pode reduzir suas emissões de forma muito rápida e barata com o aumento da produção e do uso de etanol. Renato Romio, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), também lembra que importantes montadoras dos mercados nacional e internacional perceberam o potencial do etanol brasileiro para o controle dos gases poluentes.

"O interesse pelo nosso combustível está atraindo a atenção, por exemplo, da Volkswagen, que aspira transformar o Brasil num centro de desenvolvimento de carros a motor de combustão interna. A montadora acredita que o carro elétrico, no Brasil, não teria a mesma adesão e consumo como na Europa, porque, além de ele ser caro, produzimos etanol, considerado um biocombustível que pode atender muito bem ao objetivo de diminuir a emissão de poluentes e CO2 ", comenta Romio.

Eng. Renato Romio, chefe da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)

Segundo cálculos da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), considerando-se o ciclo completo – que inclui o plantio e a colheita da cana, seu processamento, transporte e sua distribuição, além do uso nos carros -, um veículo alimentado exclusivamente com a gasolina brasileira (com 27% de álcool anidro) emite 131 gramas de CO2 por quilômetro, contra apenas 37 gCO2/km quando abastecido integralmente com o etanol de cana, valor menor do que um modelo com bateria na Europa, que, alimentado pela matriz energética atual da região, emite 54 gCO2/km.

A questão prioritária, portanto, é aumentar a eficiência do cultivo de cana e produção do etanol para reduzir seu preço, além de tornar os veículos mais econômicos e, assim, convencer o consumidor a usar o biocombustível em seu carro flex, pois o álcool só tem vantagem financeira sobre a gasolina em poucos estados no Brasil. Investir no etanol é questão de ajustar políticas públicas. O etanol tem um ciclo bastante interessante e renovável, ou seja, como ele vem da cana-de -açúcar, o CO2 é absorvido pela própria plantação de cana, que o utiliza para novas produções de álcool e, logo, traz benefícios para o meio ambiente.

"Há ainda a vantagem de dispensar investimentos públicos e privados em veículos elétricos e sistemas de recarga. Vale lembrar que a Mauá, em parceria com a USP e o ITA e com o apoio da Fapesp, é sede de um centro de pesquisas em engenharia que possui o objetivo de melhorar a eficiência na utilização de biocombustíveis. Isso nos coloca numa posição estratégica com relação às pesquisas para redução da emissão de gases de efeito estufa na mobilidade", reforça o especialista.

Instituto Mauá de Tecnologia - Todos os direitos reservados 2026 ©