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INFO MAUÁ Mauá
edição 66 - outubro de 2015

Queda do PIB e recessão técnica

O Brasil experimenta um momento de agravamento da crise econômica que não surgiu recentemente, mas foi construída ao longo dos últimos anos. Foram anos de gastos descomedidos e de política econômica equivocada. Um modelo insustentável, baseado no consumo das famílias, muitas das quais alçadas das classes sociais D e C, para o “paraíso” da classe B. Tentar o desenvolvimento econômico de um país, seguindo a filosofia do estímulo ao consumo interno, equivale a tentar se erguer do chão, puxando os próprios cabelos. Em março de 2013, escrevi um artigo para o Diário do Grande ABC, no qual antecipei a instalação de um processo de estagflação, do qual os economistas-chefes de grandes empresas começaram a falar neste ano – 2015!

A queda do PIB – definido como a soma de todos os bens e serviços produzidos por uma nação num determinado período - ocorre por diversos motivos sendo o principal deles a falta de confiança dos investidores na política econômica do governo federal, além da percepção de que falta ao governo a disposição de fazer o ajuste fiscal (menores gastos governamentais e redução dos gastos de custeio) que não o faz por motivos políticos e ideológicos.

Assim, menor investimento, menor produção, menor renda (desemprego), menor consumo, menor produção... Cria-se um círculo vicioso que conduz à recessão. As reduções consecutivas no PIB levam ao que se chama de recessão técnica. A tempestade perfeita ocorre quando, associado ao processo recessivo, instala-se um processo inflacionário que, no caso brasileiro, deve-se aos desequilíbrios fiscal e cambial e à majoração de preços internos que ocorrem por causa da desconfiança do mercado relativamente às decisões governamentais: insuficiente, equivocadas, ou não implementadas. É a estagflação! A política monetária adotada, de aumento da taxa básica da economia, aplica-se a processos de inflação cuja causa é o desequilíbrio entre oferta e demanda, o que não é o caso brasileiro, já que o consumo das unidades familiares vem caído há cerca de dois anos.

Em queda, PIB brasileiro apresenta números ruins nos últimos anosA recuperação da economia brasileira passa pela vontade e seriedade do governo em cortar gastos, primeiramente, e estimular o investimento em modernização, educação e capacitação tecnológica, redução da taxa SELIC e redução de impostos. Uma economia moderna e competitiva gerará produtos exportáveis e, ainda, gerará excedente para o consumo interno.

O mundo tem experimentado processos de recuperação econômica, na pós- -crise de 2008. As economias: norte-americana, alemã e francesa, principalmente, experimentam crescimento e são mercados para os quais os produtos brasileiros podem ser exportados, gerando empregos e divisas. Aliás, quando se fala em exportação, não devemos comemorar os superavits da balança comercial, pois eles se devem à redução de exportações e, em maior grau, das importações. Mais um indicador da recessão instalada. Com a redução da classificação de rating do Brasil, pela S&P, parece inevitável que a lição de casa seja feita com urgência.

Artigo de autoria do Prof. Francisco Olivieri - Superintendente Geral do Instituto Mauá de Tecnologia e professor do curso de Administração. 

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