Entenda o que está por trás do aumento das tarifas de água e luz
O Brasil passa por um momento atípico em relação à disponibilidade dos recursos naturais, principalmente da água e da energia. O período é de escassez e não se sabe quando o cenário voltará à normalidade. Nos últimos meses, a população, principalmente no Estado de São Paulo, mobilizou-se para reduzir o consumo da água.
Estimulados pela conscientização do problema e, também, pelo desconto concedido pela Sabesp, muitos moradores passaram a implantar sistemas de reúso do recurso para aproveitar a água da chuva. Criatividade e boa vontade não faltaram para a população. E o resultado veio: a Sabesp concedeu descontos na conta e o nível das represas deixou de cair.
Porém, com a economia gerada pelo consumo da água e com o valor total concedido pelos descontos, a Sabesp descapitalizou-se e precisou compensar a perda, aumentando o valor das tarifas em cerca de 15%. Lembre-se de que, no começo do ano, houve um reajuste de mais de 40% na conta de energia elétrica.
O professor e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia, Ricardo Balistiero, explica que, no caso da água, tivemos um aumento menos intenso. Na conta de luz, a porcentagem foi mais alta porque houve o acionamento das termoelétricas, o que gerou um custo elevado. “No caso recente da água, com a menor oferta, a Sabesp precisou aumentar a tarifa. Esse aumento contamina a inflação e impacta a elevação das taxas de juros. E o consumidor não tem controle sobre isso.”
Para o professor, esses reajustes de preços vão além da descapitalização das empresas. “A água e a energia estão-se tornando recursos escassos, não só em São Paulo, mas também no Brasil inteiro. Quanto mais escassos, mais caros. O recado que o governo está dando-nos é quase pedagógico e um alerta para os próximos anos. A mensagem por trás da elevação das tarifas é para continuarmos economizando”, esclarece Balistiero.
Pelo menos, a previsão para este ano é que não ocorram novos reajustes. Do ponto de vista do consumidor, não há muita saída. “O jeito é cortar o orçamento de outras despesas, já que a população não tem controle sobre as taxas administrativas”, acrescenta o professor.
Para amenizar o problema, é necessário continuar fazendo o uso racional da água e energia, evitando o desperdício e, de preferência, buscando alternativas para a reutilização dentro de casa.
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