Em meio à crise econômica como controlar e gerir as finanças
pessoais?
Diante do cenário econômico pessimista projetado pelo mercado para o próximo ano, prevendo a alta da
inflação devida aos aumentos de preços, elevação das taxas de juros para inibir o consumo e compensar riscos de inadimplência,
crescimento irrisório do PIB- Produto Interno Bruto e elevação das taxas do dólar, é necessário adotar alguns procedimentos em
nossas finanças pessoais para evitar situações complicadas e desagradáveis. Essas medidas, tidas por alguns como óbvias, nem
sempre são do conhecimento geral ou são esquecidas, razão pela qual é importante listar algumas práticas para obter êxito no
planejamento financeiro pessoal.
- Elaborar Planejamento financeiro
Liste os ganhos do
período (renda e ganhos extras como décimo-terceiro, bonificações e férias) e todas as despesas fixas e variáveis. Avalie sua
situação financeira. Há margem para novos gastos? Há pendências financeiras? Reserve parte do décimo-terceiro para as despesas
do início do ano como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar.
Cuidado ao parcelar viagens. Pense: será que vale a pena passar dificuldades o ano todo por alguns dias de diversão? Será que
uma viagem mais barata e de acordo com seu orçamento não trará satisfação?
- Evitar compras por
impulso
Os consumidores devem-se fazer algumas perguntas antes de comprar. Estou comprando por real
necessidade ou movido por sentimento? Se não comprar isso hoje, o que acontecerá? Tenho dinheiro para comprar à vista? Se comprar a
prazo, terei o valor das parcelas?
Desempenhar atividade de controle sempre
é difícil, pois impacta em ?usos e costumes?, mas devemos pensar no uso racional dos recursos em nossos lares e evitar desperdí
cios no consumo de água, energia, telefonia e alimentos objetivando a sustentabilidade e redução das despesas dessa natureza
- Pesquisar preço e comprar à vista
Tudo o que se compra em prestações paga-se mais
caro, na medida em que a taxa de juros está embutida no preço. Não se envergonhe em negociar e lembre-se de que o maior interessado
numa negociação é o vendedor que tem obrigação de vender para receber a comissão. Nós não temos a obrigação de comprar.
Quem pesquisa o melhor preço paga menos e aumenta a chance de comprar à
vista e obter desconto. Se um produto custa mil reais e pode ser parcelado em 10 vezes de 100 reais, certamente à vista custará de
10% a 20% menos. Não se envergonhe de pedir o desconto, pois ele faz parte de qualquer relacionamento comercial.
Um bom planejamento financeiro permite o controle de vencimentos
evitando os pagamentos de multas por atraso e encargos adicionais.
Apesar de muitos clientes nem se darem conta disso, as tarifas bancárias quase sempre representam gastos significativos no
orçamento das pessoas, sobretudo daquelas com renda mensal não muito elevada. O melhor a se fazer é observar se a despesa paga é
condizente com os serviços utilizados. Vale sempre comparar o preço do serviço isolado e contratar somente os serviços que
realmente serão utilizados. É necessário ficar atento à movimentação financeira da conta, pois só assim o correntista se
certifica dos desembolsos mensais referentes a tarifas bancárias. Também é importante frisar que, além de não existir
uniformidade entre as instituições, os serviços e produtos são descritos de forma obscura nos extratos. Por isso, toda atenção
é pouca na análise desses dados.
- Para ficar livre das dívidas
Fazer acordos para
pagamentos de dívidas sem antes saber qual é a real capacidade de pagamento, sem cortar excessos, sem ajustar o orçamento ao
verdadeiro padrão de vida é um grande risco, além de uma medida paliativa que apenas adia a solução da causa do problema. A
seguir, algumas medidas para ajudar a quitar dívidas e reequilibrar as finanças.
a) cheque
especial
Evite a todo custo entrar no limite do cheque especial e pagar a parcela mínima do cartão de crédito.
Cheque especial é uma das mais altas taxas de juros praticadas no mundo. Procure o gerente da conta e proponha cancelamento dessa
linha de crédito, mesmo que esteja utilizando. Proponha trocar por uma linha de crédito que não ultrapasse 3% de juros mensais (por
exemplo: crédito pessoal e empréstimos consignados). Caso esteja pagando 100 reais de juros ao mês, proponha um parcelamento do
mesmo valor, com prazo alongado. Isso fará com que não tenha mais de pagar juros mensais de 10% (isso faz sua dívida dobrar a cada
7 meses). Caso o gerente não aceite, o melhor a fazer é poupar para uma futura negociação;
b)
cartão de crédito
Busque negociação com a operadora do cartão ou banco. Proponha um
parcelamento com juros que não ultrapassem 3% ao mês e que essas prestações caibam no orçamento financeiro mensal. Caso a
operadora ou banco não aceite, não faça acordos que não conseguirá cumprir. Mesmo que o nome seja negativado, guarde dinheiro
mensalmente para uma futura negociação. Outra estratégia é buscar crédito com taxas mais baixas como o crédito consignado e o
crédito pessoal. Mas atenção: não troque um credor por outro. É preciso resolver e atacar a verdadeira causa do desequilíbrio
financeiro;
c) financiamento da casa própria
Para a maioria dos brasileiros, a
compra da casa própria é um sonho que só é possível realizar adquirindo uma dívida - o financiamento imobiliário. Em boa parte
dos casos, o que impede o pagamento das prestações da casa são os gastos supérfluos. Se estiver difícil pagar as prestações, o
melhor a fazer, além de cortar excessos de gastos, é procurar a financiadora e propor um alongamento da dívida, adequando a
prestação à real capacidade de pagamento. Caso não consiga a renegociação, estude a possibilidade de trocar esse imóvel por um
de preço inferior;
d) financiamento do automóvel
Um veículo não é
investimento e, sim, um bem de consumo. A prestação em si nem sempre é o motivo da dificuldade de custear esse bem, embora ao final
do financiamento a pessoa tenha pago dois veículos e levado apenas um. O verdadeiro problema está na manutenção do veículo, cujo
custo mensal equivale, em média, a 3% do valor do carro. A manutenção de um veículo de 20 mil reais tem um custo de
aproximadamente 600 reais mensais: gasolina, seguro, licenciamento, IPVA, entre outros. Portanto, é importante analisar o custo-
benefício da compra do veículo. Se o ter é uma necessidade e está difícil pagar, é melhor rever o orçamento e tentar
renegociar o prazo da dívida com prestações que realmente caibam no bolso, considerando todas as demais despesas já assumidas. Se
a renegociação também não for possível, o melhor é buscar um advogado e providenciar a devolução do veículo;
e) refinanciamento do automóvel
Fazer o refinanciamento do veículo é dar o veí
culo como garantia de um empréstimo que você recebe em dinheiro. Normalmente, o carro precisa estar em seu nome
equitado para o banco liberar o crédito. É interessante fazer essa modalidade de financiamento (mais
barata) para utilizar o dinheiro para pagamento de linhas de crédito mais caras, como: cheque especial, cartão de crédito, crédito
pessoal. Se você atrasar ou não quitar o parcelamento, poderá perder o carro para o banco.
f)
mudança de portabilidade de dívidas
Portabilidade de crédito é a possibilidade de transferência
de operações de crédito (empréstimos e financiamentos) e de arrendamento mercantil de uma instituição financeira para outra. As
condições da nova operação devem ser negociadas entre o próprio cliente e a instituição que concederá o novo crédito. A
instituição com a qual você já tem a operação contratada é obrigada a acatar o seu pedido de portabilidade para outra
instituição. A portabilidade depende de negociação de nova operação de crédito ou de arrendamento mercantil com instituição
financeira diferente daquela com a qual foi contratada a operação original. Assim, para fazer a operação de portabilidade do
crédito para outra instituição, é necessário que você encontre instituição financeira interessada em conceder-lhe novo
crédito, quitando o anterior. As instituições financeiras não são obrigadas a contratar com você essa nova operação. O
contrato é voluntário entre as partes.
Tomar essas iniciativas não é fácil, exige disciplina, paciência, administração
de conflitos e persistência. Lembre-se de que a soma de pequenos valores resulta em valores significativos, por isso adequar as
despesas e nossas práticas habituais não consiste num projeto com começo, meio e fim, mas num plano de ação de melhoria
continua e aculturamento.
*Artigo produzido pelo superintendente financeiro do Instituto Mauá de Tecnologia, Prof.
Norberto Giuntini.
Obtenha o ?Caderno de Educação Financeira ? Gestão de Finanças Pessoais? do BACEN- Banco
Central do Brasil em: http://www.bcb.gov.br/pre/pef/port/caderno_cidadania_financeira.pdf.
Obtenha planilha de orçamento pessoal em: http://www.bmfbovespa.com.br/pt-
br/educacional/orcamento-pessoal.aspx?idioma=pt-br.
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