Como a inflação pode
afetar a economia em 2014
A previsão para a variação anual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
que mede a inflação oficial do País, passou de 5,3% para 5,6%, segundo o relatório de receitas e despesas do orçamento federal,
relativo ao segundo bimestre deste ano. Porém esse número está abaixo da expectativa do mercado, que é de 6,43%%, captada pelo
Banco Central em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.
O problema é o aumento da taxa de juros que, em parte,
leva à inadimplência, em especial por quem acumulou dívidas de longo prazo. O maior índice de atrasos de pagamentos é percebido
nas contas de luz, esgoto e gás, com 12,38% seguido por telefonia, na TV a cabo e nos serviços de internet com 5,78%. Já os bancos
e lojas, como forma de manter a inadimplência baixa, adotaram critérios mais rígidos para a concessão de crédito, o que manteve
o índice em 4,83% nos bancos e 2,54% nas lojas.
Também como forma de conter esses impactos, desde abril de 2013, o principal
instrumento do Banco Central para controlar a inflação tem sido o aumento da taxa Selic. Até o momento, foram nove altas
consecutivas, atingindo 11% ao ano.
Para o professor Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto
Mauá de Tecnologia, a Selic é o principal instrumento de política monetária para surtir efeitos mais imediatos. ?Bem como uma
cirurgia, o método utilizado é mais invasivo e resolve mais rapidamente?, explica. Mas o professor alerta que em médio e longo
prazos é preciso trabalhar a taxa Selic combinada com outros instrumentos da política econômica.
Para o consumidor, o
cenário não está favorável para compras a prazo. ?O crédito vai ficar mais caro, pois a taxa Selic tem como objetivo
encarecê-lo e, assim, reduzir a demanda. É recomendável adiar para 2015 a realização de compras com financiamento?, diz
professor Balistiero.
Para 2015, o cenário promete melhorias já que em 2014 há muitos acontecimentos relevantes para a
economia como eleição presidencial e Copa do Mundo. ?Já para o segundo semestre há tendência de desaceleração e é possível
que as taxas fiquem abaixo do teto estipulado?, encerra o professor Balistiero.
|