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INFO MAUÁ Mauá
edição 51 - maio de 2014

Instituições de ensino, indústria e poder público juntam-se para criar o Centro de Desenvolvimento Avançado

O Instituto Mauá de Tecnologia coordena tecnicamente a estruturação do projeto para implementação do Centro de Desenvolvimento Avançado em Ferramentaria do Brasil, em conjunto  com a  Universidade Federal do ABC (UFABC), a Prefeitura de São Bernardo do Campo, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e o APL (Arranjo Produtivo Local) do setor de Ferramentaria do Grande ABC. Nesse projeto foram identificados os principais problemas do setor, que enfrenta forte concorrência do mercado externo, para a elaboração de uma proposta efetiva para recuperar a competitividade.

Os  APLs são grupos organizados com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de uma atividade ou setor e geralmente incluem empresas e demais organizações voltadas à formação e ao treinamento de recursos humanos, além de promover informação, pesquisa, desenvolvimento, projetos de Engenharia e busca de oportunidades de financiamento.

O APL de Ferramentaria do Grande ABC existe desde novembro de 2011 e conta com a participação de cerca de quarenta empresários que se reúnem, periodicamente, com representantes de instituições de ensino da região para debaterem ideias e proporem ações voltadas ao fortalecimento do setor.  

Atualmente, a cadeia produtiva da ferramentaria no Brasil representa 222 mil empregos  e 10,3 mil empresas que, em sua maioria, perderam competitividade por não conseguirem aportar os investimentos necessários em recursos computacionais, promoverem treinamento nem realizarem pesquisas.

O setor estima que o Programa Inovar-Auto duplicará a demanda e ampliará os investimentos e a necessidade de mão de obra, contudo uma considerável parte desses investimentos será aplicada na importação de ferramental, mesmo com capacidade produtiva ociosa no setor. A defasagem tecnológica atual do setor resulta em prazos mais longos de produção, perda de rentabilidade e de mercado. A projeção é a de que haja um deficit  na Balança Comercial, somente em relação aos produtos do setor de ferramentaria, de US$ 12,637,783,574.00 somando os valores de 2008 a 2017.

Para o engenheiro Fábio Sampaio Bordin, Superintendente de Planejamento e Desenvolvimento do Instituto Mauá de Tecnologia, a perda de competitividade, carência de mão de obra especializada e a necessidade de apoio na área de serviços para a execução de projetos de ferramentais estimularam a criação do Centro de Desenvolvimento Avançado em Ferramentaria do Brasil. ? ??Avaliamos experiências já adotadas por países como China, Tailândia e EUA para a elaboração desse novo formato. O setor de Ferramentaria  é a base da indústria automobilística e a melhoria da capacitação do setor atrai investimentos direcionados à produção e ao desenvolvimento de veículos  e não só à  montagem?, afirma.

O engenheiro conta que hoje, na China, o prazo para o desenvolvimento simultâneo de 10 produtos é de 30 dias, enquanto no Brasil leva-se mais de 120 dias. ?Hoje, as empresas têm de investir em softwares específicos para cada montadora. A ideia é que haja um núcleo de Engenharia e prestação de serviços multiplataforma para uso compartilhado. O Centro de Desenvolvimento proposto atuará na elaboração de planos de processos e projetos de ferramentaria de forma integrada com as instituições de ensino e receberá incentivo das empresas para melhorar a competitividade em relação aos concorrentes do mercado internacional, reduzindo o volume de importações e ocupando a capacidade produtiva das empresas de ferramentaria no País.?, diz.

O projeto unirá as demandas das empresas e, com os pontos fortes de uma instituição de ensino privada e de uma federal, desenvolverá  um formato inovador no Brasil, com a finalidade de difundir o uso das novas tecnologias no setor, qualificar a mão de obra e reduzir o deficit comercial.

? ??Seguiremos a linha dos laboratórios do Centro de Pesquisas da Mauá. Nossa intenção é a prestação de serviços tornar o laboratório sustentável para manter sua estrutura, sem que dependa de órgãos de fomento. Por meio do Centro, os problemas do mercado serão analisados por pesquisadores e estudantes. Será possível qualificar mão de obra nos níveis técnico, superior e de pós-graduação, nas diferentes etapas dessa atividade e, assim, desenvolver capacitação avançada em programas de iniciação científica, mestrado e doutorado, alinhados com as necessidades do setor?, explica José Roberto Augusto de Campos, diretor do Centro de Pesquisas.

Jefferson José da Conceição, secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo, defende que esse projeto tem várias dimensões de importância, pois trata de um segmento estratégico da cadeia de produção e é um risco não preservar esses elos. ?Quando se discute o Centro de Desenvolvimento Avançado em Ferramentaria do Brasil significa salvaguardar o conhecimento e a retenção e manutenção de tecnologia no Brasil. Além da importância desse projeto para o ABC, há uma abrangência para atender nacionalmente a demanda. Estamos esperançosos de que este projeto seja concluído e comece a alterar o sistema. Desejamos que seja uma referência no ABC e ajude a resolver parte dos problemas?, comenta.

Para todos os participantes, esse é um modelo que poderia ser replicado para outros setores da economia.

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