Instituições de ensino, indústria e poder público juntam-se para criar o Centro de Desenvolvimento
Avançado
O Instituto Mauá de Tecnologia coordena tecnicamente a estruturação do projeto para implementação do
Centro de Desenvolvimento Avançado em Ferramentaria do Brasil, em conjunto com a Universidade Federal do ABC (UFABC), a
Prefeitura de São Bernardo do Campo, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e o
APL (Arranjo Produtivo Local) do setor de Ferramentaria do Grande ABC. Nesse projeto foram identificados os principais problemas do
setor, que enfrenta forte concorrência do mercado externo, para a elaboração de uma proposta efetiva para recuperar a
competitividade.
Os APLs são grupos organizados com o objetivo de incentivar o desenvolvimento de uma atividade ou setor
e geralmente incluem empresas e demais organizações voltadas à formação e ao treinamento de recursos humanos, além de promover
informação, pesquisa, desenvolvimento, projetos de Engenharia e busca de oportunidades de financiamento.
O APL de
Ferramentaria do Grande ABC existe desde novembro de 2011 e conta com a participação de cerca de quarenta empresários que se
reúnem, periodicamente, com representantes de instituições de ensino da região para debaterem ideias e proporem ações voltadas
ao fortalecimento do setor.
Atualmente, a cadeia produtiva da ferramentaria no Brasil representa 222 mil empregos e 10,3
mil empresas que, em sua maioria, perderam competitividade por não conseguirem aportar os investimentos necessários em recursos
computacionais, promoverem treinamento nem realizarem pesquisas.
O setor estima que o Programa Inovar-Auto duplicará a
demanda e ampliará os investimentos e a necessidade de mão de obra, contudo uma considerável parte desses investimentos será
aplicada na importação de ferramental, mesmo com capacidade produtiva ociosa no setor. A defasagem tecnológica atual do setor
resulta em prazos mais longos de produção, perda de rentabilidade e de mercado. A projeção é a de que haja um deficit
na Balança Comercial, somente em relação aos produtos do setor de ferramentaria, de US$ 12,637,783,574.00 somando os valores
de 2008 a 2017.
Para o engenheiro Fábio Sampaio Bordin, Superintendente de Planejamento e Desenvolvimento do Instituto Mauá
de Tecnologia, a perda de competitividade, carência de mão de obra especializada e a necessidade de apoio na área de serviços para
a execução de projetos de ferramentais estimularam a criação do Centro de Desenvolvimento Avançado em Ferramentaria do Brasil. ?
??Avaliamos experiências já adotadas por países como China, Tailândia e EUA para a elaboração desse novo formato. O setor de
Ferramentaria é a base da indústria automobilística e a melhoria da capacitação do setor atrai investimentos direcionados à
produção e ao desenvolvimento de veículos e não só à montagem?, afirma.
O engenheiro conta que hoje, na China, o
prazo para o desenvolvimento simultâneo de 10 produtos é de 30 dias, enquanto no Brasil leva-se mais de 120 dias. ?Hoje, as
empresas têm de investir em softwares específicos para cada montadora. A ideia é que haja um núcleo de Engenharia e
prestação de serviços multiplataforma para uso compartilhado. O Centro de Desenvolvimento proposto atuará na elaboração de
planos de processos e projetos de ferramentaria de forma integrada com as instituições de ensino e receberá incentivo das empresas
para melhorar a competitividade em relação aos concorrentes do mercado internacional, reduzindo o volume de importações e ocupando
a capacidade produtiva das empresas de ferramentaria no País.?, diz.
O projeto unirá as demandas das empresas e, com os
pontos fortes de uma instituição de ensino privada e de uma federal, desenvolverá um formato inovador no Brasil, com a finalidade
de difundir o uso das novas tecnologias no setor, qualificar a mão de obra e reduzir o deficit comercial.
?
??Seguiremos a linha dos laboratórios do Centro de Pesquisas da Mauá. Nossa intenção é a prestação de serviços tornar o
laboratório sustentável para manter sua estrutura, sem que dependa de órgãos de fomento. Por meio do Centro, os problemas do
mercado serão analisados por pesquisadores e estudantes. Será possível qualificar mão de obra nos níveis técnico, superior e de
pós-graduação, nas diferentes etapas dessa atividade e, assim, desenvolver capacitação avançada em programas de iniciação
científica, mestrado e doutorado, alinhados com as necessidades do setor?, explica José Roberto Augusto de Campos, diretor do
Centro de Pesquisas.
Jefferson José da Conceição, secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo de São
Bernardo do Campo, defende que esse projeto tem várias dimensões de importância, pois trata de um segmento estratégico da cadeia
de produção e é um risco não preservar esses elos. ?Quando se discute o Centro de Desenvolvimento Avançado em Ferramentaria do
Brasil significa salvaguardar o conhecimento e a retenção e manutenção de tecnologia no Brasil. Além da importância desse
projeto para o ABC, há uma abrangência para atender nacionalmente a demanda. Estamos esperançosos de que este projeto seja
concluído e comece a alterar o sistema. Desejamos que seja uma referência no ABC e ajude a resolver parte dos problemas?,
comenta.
Para todos os participantes, esse é um modelo que poderia ser replicado para outros setores da economia.
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