Educação transforma o conhecimento em diálogo com a sociedade
Projetos de extensão da Mauá unem técnica, empatia e parceria para gerar impacto real nas comunidades
Na Mauá, a educação vai além da sala de aula. Os projetos de extensão comunitária têm-se consolidado como um dos pilares da formação acadêmica, promovendo impacto social concreto ao mesmo tempo em que ampliam o repertório humano e profissional dos estudantes. A proposta é simples e, ao mesmo tempo, profunda: aprender com as comunidades, construir soluções em parceria e reconhecer que transformação verdadeira nasce do diálogo.
“Buscamos aprender e construir com os nossos parceiros aquilo de que eles necessitam ou de que precisam. Não sabemos de antemão o que é melhor para o grupo local. É a partir de um processo intenso de conversas e conhecimento mútuo que sempre, de forma participativa com os nossos parceiros, identificamos suas demandas, construímos caminhos para lidar com elas e os implementamos”, explica o professor Cristiano Cruz.
Essa abordagem tem guiado diferentes projetos ao longo das últimas décadas. Um dos exemplos mais emblemáticos é o PROALFA, criado em 1999 em parceria com a Prefeitura de São Caetano do Sul. Desde então, aproximadamente 4 mil jovens e adultos foram alfabetizados. Mais do que aprender a ler e escrever, os participantes fortalecem a autoestima, a autonomia e a participação cidadã. A produção coletiva de materiais sobre direitos e a presença em eventos institucionais ampliam o sentimento de pertencimento e mostram que a educação é, de fato, um instrumento de transformação social.
Outro exemplo de projeto consolidado é o ENTRE DERIVAS, desenvolvido em São Bento do Sapucaí e em Paranapiacaba, que promoveu o reavivamento cultural das comunidades e fortaleceu a geração de renda por meio do artesanato local Iniciativas que geram impacto na atuação comunitária.
Dentre as atuações das entidades estudantis, um exemplo de boas práticas de extensão comunitária é o da Enactus Mauá, ativa desde 2014, que tem desenvolvido diferentes projetos com forte impacto social. O Semear, por exemplo, beneficiou 312 crianças com hortas ecopedagógicas e educação alimentar. O Fiapo-por-Fiapo empoderou 22 mulheres por meio do artesanato, empreendedorismo e apoio psicológico. Já o Isocor transforma isopor descartado em tinta, unindo inovação, sustentabilidade e geração de renda.
Com a obrigatoriedade da extensão curricular a partir de 2023, a Mauá ampliou parcerias e o número de estudantes envolvidos. “A extensão vai muito além da aplicação técnica. A verdadeira sala de aula é o campo. É na interação com o grupo local que os estudantes desenvolvem competências como empatia, escuta ativa e construção de vínculos”, explica o professor Cristiano Cruz.
Os impactos positivos superam as soluções técnicas, e as comunidades relatam maior visibilidade e fortalecimento de suas demandas. Para os estudantes, a experiência amplia habilidades como trabalho em equipe, comunicação e identificação de necessidades reais, além de contribuir para uma formação ética e cidadã. Para isso, porém, é necessário abandonar a ideia de que vamos a esses territórios ou organizações para resolver seus problemas, salvá-los ou levar conhecimentos acadêmicos. Vamos, na verdade, para enxergar suas abundâncias (de saberes, resistência, cuidado, capacidades etc.), aprender com elas e, a partir disso, tentar nos colocar a serviço do grupo local.
Para 2026, o foco é potencializar e fortalecer as iniciativas existentes, criar indicadores mais precisos de impacto e consolidar uma cultura institucional de valorização da extensão, de modo que os estudantes aprendam como apoiar essas comunidades ou organizações a transformarem suas próprias realidades. O protagonismo é sempre da comunidade ou da organização parceira. “Nós somos coadjuvantes nesse processo da transformação que elas podem construir em suas próprias realidades”, finaliza o Professor Cristiano Cruz.
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