Mauá incorpora IA para personalizar o ensino de Matemática e Química
Tecnologia disponível apoia os estudantes do 1.º ano na identificação de lacunas de aprendizagem e orienta trilhas de estudo mais individualizada
O Instituto Mauá de Tecnologia está incorporando novas tecnologias às aulas para tornar o processo de aprendizagem mais personalizado, eficiente e conectado com as necessidades dos estudantes. Uma das iniciativas em andamento é o uso de inteligência artificial para apoiar os alunos do 1.º ano na identificação do nível de conhecimento em disciplinas como Matemática e Química, especialmente em conteúdos fundamentais para o início da graduação.
A proposta parte de avaliações diagnósticas, que permitem mapear os conhecimentos prévios dos estudantes e identificar pontos fortes e dificuldades em diferentes temas. Com base nesses resultados, a plataforma direciona cada aluno para trilhas de aprendizagem adaptadas a seu desempenho, reforçando conteúdos específicos e permitindo avanços conforme o ritmo individual.
Na disciplina de Cálculo Diferencial Aplicado, por exemplo, a plataforma ALEKS foi utilizada no começo do semestre para avaliar conhecimento de pré-cálculo, como equações lineares, funções afins, funções quadráticas, exponenciais e logaritmos. Com base nos diagnósticos, os estudantes passaram a desenvolver atividades direcionadas, com acompanhamento do progresso ao longo do período.
De acordo com a professora Juliana Philot, da área de Matemática, a tecnologia amplia a capacidade de acompanhamento pedagógico. “A IA permite diagnósticos mais rápidos, detalhados e individualizados. Com os dados gerados pela plataforma, professores e coordenadores conseguem identificar lacunas de aprendizagem logo no início da graduação e propor intervenções mais assertivas”, afirma.
Os resultados iniciais indicaram boa adesão dos estudantes. Entre os 568 alunos matriculados na disciplina, 99% realizaram cadastro na plataforma e 90% foram considerados ativos ao longo do primeiro bimestre. O tempo médio de uso foi superior a 18 horas por estudante no período analisado, demonstrando engajamento com a ferramenta.
Aprendizagem mais direcionada e assertiva
Na disciplina de Química, a IA também tem sido observada como uma ferramenta importante para apoiar o nivelamento e a construção gradual do conhecimento. Com base na avaliação diagnóstica, os estudantes recebem atividades compatíveis com suas necessidades, enquanto professores conseguem acompanhar indicadores como tempo de estudo, desempenho por conteúdo e evolução ao longo do semestre.
A percepção na área de Química é a de que a personalização é um dos principais ganhos da iniciativa. “O estudante que apresenta maior dificuldade em determinados temas recebe mais atividades e mais contato com aquele conteúdo, enquanto aquele que já domina os conceitos consegue avançar com mais rapidez. Isso torna o processo de aprendizagem ainda mais individualizado e eficiente”, explicam o Corpo Técnico Gabriel Rodrigues Ramos e a professora Juliana Cordeiro.
Além do reforço direcionado, a tecnologia também oferece recursos visuais e interativos, como gráficos, simulações e modelos tridimensionais, que ajudam a tornar conceitos abstratos mais acessíveis. Esses elementos contribuem para uma experiência mais intuitiva, especialmente em áreas que exigem visualização, interpretação e resolução de problemas.
Tecnologia como apoio ao professor
A iniciativa reforça que a IA não substitui o papel fundamental do professor em sala de aula. Pelo contrário, atua como uma ferramenta complementar, capaz de ampliar a personalização, apoiar decisões pedagógicas e oferecer dados para intervenções mais precisas.
A mediação docente segue essencial para interpretar os resultados, orientar os estudantes e garantir o uso consciente da tecnologia. Nas áreas de Exatas e Engenharia, esse cuidado é ainda mais importante, já que o objetivo da formação não é apenas chegar à resposta correta, mas compreender processos, desenvolver raciocínio lógico e resolver problemas complexos.
Para a professora Juliana Philot, esse é um ponto central na adoção da tecnologia. “A inteligência artificial amplia as possibilidades de acompanhamento e personalização, mas a mediação docente continua indispensável para orientar os estudantes, interpretar os dados e promover uma aprendizagem realmente significativa”, destaca.
Na visão de Juliana Cordeiro e Gabriel Rodrigues Ramos, o uso responsável da IA também deve fazer parte da formação dos alunos. “É fundamental ensinar os estudantes a utilizarem essas ferramentas de forma consciente e produtiva. A IA pode apoiar muito a visualização, a interpretação e a resolução de problemas, mas precisa ser integrada ao aprendizado de maneira crítica”, afirmam.
Com a implantação dessas ferramentas, a Mauá fortalece uma abordagem de ensino que combina inovação, acompanhamento próximo e protagonismo estudantil. A tecnologia passa a atuar como aliada na construção de uma jornada acadêmica mais personalizada, ajudando os alunos a superarem dificuldades desde o início da graduação e a desenvolver bases mais sólidas para sua formação.
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