O Brasil no espaço: Astrofísica e Engenharia
Mauá prepara-se para apresentar no início de 2019 novas evoluções do projeto realizado para o satélite Plato na Áustria e na França
Simulador desenvolvido pela Mauá
Em 2008, o Núcleo de Sistemas Eletrônicos Embarcados (NSEE) da Mauá recebeu um importante convite da equipe do Observatório de Paris. Tratava-se do envolvimento da instituição com atividades visando participar da Missão Plato. Desde 2010, a Mauá trabalha fortemente nesse projeto, responsabilizando-se pela construção dos simuladores de câmaras que serão utilizados pelos europeus.
Relembrando a trajetória desse importante acontecimento, o grupo composto pelos professores Sérgio Ribeiro e Vanderlei Cunha Parro, e por alguns alunos da instituição foi à França em 2011, entregar e validar os primeiros resultados obtidos com o centro aeroespacial francês CNES e a equipe responsável pelo desenvolvimento de software de voo do Observatório de Paris.
Na ocasião, o NSEE ficou responsável pelo desenvolvimento e implementação de um simulador de parte de um telescópio que possibilita ao software de voo (que será embarcado no satélite) ser testado. Criaram um sistema capaz de simular e gerar um conjunto de imagens representativas do que vai acontecer quando o satélite estiver em órbita.
Desde então, a Mauá só evoluiu com as ações para o projeto. Ao longo dos anos, ocorreu a conclusão da primeira versão do simulador, constituído de um sistema eletrônico de alto desempenho capaz de simular as câmeras do satélite Plato. Sua principal função é transmitir dados simulados a partir de condições reais do céu, em alta velocidade e tempo real, como se fossem câmeras reais.
"Esse simulador será utilizado pelos países: Alemanha, Áustria, Espanha, França e Itália para desenvolvimento de outros subsistemas do satélite (computador de bordo, roteador, compressor de dados, controle de atitude)", explica o professor Vanderlei Cunha Parro, ao reforçar que o convite para o desenvolvimento desse sistema veio exatamente por não existir nada similar no mercado.
Novos passos
Além do apoio recebido da Europa, desde 2016, o projeto também conta com a participação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), intitulado "O Brasil no espaço: Astrofísica e Engenharia", cooperação que une astrônomos e engenheiros. Com esse novo investimento, o projeto passa a ter duração prevista de cinco anos, apoiando e aumentando o financiamento de parte das despesas necessárias para a Missão.
"O Plato está previsto para ser lançado em 2025 e atualmente nossa equipe prepara-se para apresentar novos resultados em 2019 na Áustria e na França. Em janeiro, o Professor Alessandro de Oliveira Santos e o aluno da Engenharia da Computação Yuri Bunduki estarão na Áustria para entregar os primeiros simuladores. No final de janeiro, receberemos no IMT uma equipe de Engenharia da França para o primeiro teste do simulador acoplado ao computador de bordo operando com a primeira versão do software de voo", completa o Prof. Parro.
Fique por dentro do Plato
A Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) enviará ao espaço um telescópio capaz de descobrir planetas rochosos e sistemas planetários além do Sistema Solar. A missão, denominada Plato, será lançada em 2025 pelo foguete Soyuz.
O projeto tem a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Instituto Mauá de Tecnologia e Universidade Presbiteriana Mackenzie. O custo é estimado em mais de 600 milhões de euros para a ESA, mas, somando-se as contribuições dos países-membros, pode chegar a quase 1 bilhão de euros.
Mais de 1.000 planetas já foram descobertos fora do Sistema Solar, mas nenhum até agora se mostrou realmente parecido com a Terra em termos de tamanho e distância em relação a uma estrela semelhante ao Sol.
A sonda vai buscar especificamente planetas rochosos, como a Terra, em zonas consideradas habitáveis, que correspondem à região ao redor de uma estrela na qual a água consegue se manter em estado líquido.
"Um dos pontos mais importantes de nossa participação nesse projeto é o grande ganho de conhecimento e relacionamento. Depois de a sonda estar no espaço, poderemos utilizar os dados colhidos por ela para pesquisas na área. Essas são informações privilegiadas visto que os dados ficam em sigilo durante dois anos e, nesse período, apenas os participantes têm acesso a eles", finaliza o Prof. Vanderlei.
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