Com o resultado das eleições à presidência, surge uma esperança para a evolução da nossa economia?
O professor e coordenador do curso de Administração da Mauá, Ricardo Balistiero, avalia as perspectivas econômicas para a gestão do Presidente eleito, Jair Bolsonaro
Segundo o professor Ricardo Balistieiro, o ano de 2019 pode acelerar o crescimento do PIB para patamares superiores a 2%, se não houver ocorrência de nenhum choque adverso (interno ou externo) de relevância.
Com o fim das eleições e um novo presidente eleito, Jair Bolsonaro, renovadas esperanças sobre a economia do País começam a se formar. Por isso, fomos conversar com o professor e coordenador do curso de Administração da Mauá, Ricardo Balistiero, para entender qual é sua avaliação e o que podemos esperar para os últimos meses de 2018 e os próximos quatro anos.
Segundo o especialista, ainda nesses últimos meses do ano, a economia deve-se aquecer lentamente, em função da entrada dos recursos do 13.º salário e pela momentânea euforia do mercado com a nova composição do Congresso Nacional, mais inclinado para reformas do que o anterior.
Novo Governo em ação
A partir de 2019, quando a nova gestão entrará em ação, Balistiero acredita num cenário mais otimista. Esse novo ciclo pode-se iniciar a partir da elevada capacidade ociosa existente, o que possibilita uma retomada mais rápida da economia. Caso os primeiros sinais da equipe econômica sejam no sentido de uma agenda reformista, podemos esperar uma aceleração do crescimento econômico para o próximo ano.
"2019 pode acelerar o crescimento do PIB para patamares superiores a 2%, a depender das primeiras ações do novo governo e da não ocorrência de nenhum choque adverso (interno ou externo) de relevância, a ponto de comprometer a retomada do crescimento", comenta Balistiero.
Mercado internacional e geração de emprego
Com o novo presidente, podemos esperar grandes mudanças no mercado internacional? Na avaliação do professor, o comércio exterior enfrenta seus próprios problemas com base nas ações imprevisíveis do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O endurecimento de sanções à China e a outras economias pode reduzir o ritmo de crescimento da economia mundial, com impactos na economia brasileira.
Voltando para o cenário interno, o Brasil tem gerado empregos (inclusive com carteira assinada), mas em quantidade insuficiente para o necessário, para voltarmos aos patamares de 2012/2013. A expectativa é de aceleração da geração de empregos em 2019, mas o desemprego ainda deverá situar-se em torno de 10% da população economicamente ativa ao final do próximo ano.
Avaliação perante a nova gestão
Para Balistiero, o novo Presidente deverá governar para todos os brasileiros, procurando a oposição para aprovar propostas de interesse do País e reconhecendo que não existe democracia sem oposição. "Devemos ficar atentos aos sinais emitidos no tocante à solução do crônico déficit público. Reformas como a da Previdência, fiscal e tributária, aliadas à retomada do processo de redução do Estado, podem ser sinais positivos emitidos nos primeiros meses de mandato. A ausência dessas ações concretas pode colocar o Brasil em recessão novamente, comprometendo o restante do mandato", finaliza.
|