Como fica a balança comercial com a crise da Carne Fraca?
Mercado externo já reage a respeito da importação de carnes brasileiras
De acordo com o prof. Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do IMT, estima-se uma queda de 10% nas exportações do setor.
A Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal no início do mês, vem impactando a economia brasileira. Nas últimas semanas, países como México, Japão, Suíça, Hong Kong, Chile, China e União Europeia anunciaram a suspensão da importação de carnes do Brasil, o que afeta diretamente a balança comercial.
Somente as compras da China, Hong Kong e Chile representavam 40% da importação de carnes bovinas do país, enquanto a a remessa da carne de frango apenas para China e Hong Kong representam 20% do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
"A carne, nas suas mais diversas modalidades: bovina, suína e frango, tem peso relevante na nossa balança comercial. O maior impacto que estamos verificando da Operação Carne Fraca ocorre no setor externo e não no mercado interno. A repercussão foi mais negativa no mercado externo e isso está-se refletindo nas importações desses países", explica o prof. Ricardo Balistiero, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia.
Para se ter uma ideia, segundo o prof. Balistiero, uma queda estimada em 10% nas exportações pode gerar um grande impacto na cadeia produtiva, provocando desemprego da ordem de 400 mil pessoas.
A economia brasileira vem sentindo os impactos causados pela Operação Carne Fraca.
A melhor maneira de conter esse cenário dá-se pela recuperação da confiança nos agentes sanitários do país. O processo fiscalizatório precisa receber a credibilidade da comunidade interna e internacional.
"Além disso, o governo precisa de serenidade para lidar com a questão dos parceiros comerciais, vendendo muito bem a ideia de confiança, sem declarar guerra a nenhum pais", acrescenta o coordenador.
Além disso, será preciso mostrar que a investigação acabou e não há mais nada a ser revelado. "Transparência, serenidade e capacidade de diálogo com os parceiros internacionais estão entre as medidas fundamentais para que o país consiga driblar essa crise e minimizar os problemas", afirma o professor Balistiero.
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