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INFO MAUÁ Mauá
edição 69 - março de 2016

Automobilismo: desafios e oportunidades na carreira de um Race Engineer

Marcos Telles, engenheiro da equipe alemã Konrad Motorsport, conta sobre seu dia a dia profissional

Vinheta Carreiras InfoMauá 69 Marcos Telles, ex-aluno da Mauá, engenheiro mecânico da equipe alemã Konrad MotorsportÉ difícil encontrar um homem que não seja apaixonado por esportes, velocidade e carros. Além do futebol, que é a primeira paixão nacional, o automobilismo habita o imaginário masculino desde a infância, quando, ainda meninos, imaginam-se em importantes corridas automobilísticas.

Para Marcos Telles, engenheiro mecânico da equipe alemã Konrad Motorsport, esse sonho tornou-se realidade. No seu dia a dia, ele é um dos responsáveis por preparar e cuidar do bom potencial e execução de um carro de corrida, peça fundamental para que sua equipe tenha sucesso na pista.

“O trabalho numa equipe de corrida é muito dinâmico e as funções acabam dependendo de cada fase”, explica o engenheiro.

Segundo o profissional, as fases são divididas basicamente em três etapas:

1. Preparação (antes do fim de semana de corrida) - nesta etapa é importante estudar as características do circuito e, com base nisso e em experiências passadas, criar um acerto inicial para os carros. Também vale ter atenção especial à previsão do tempo, além de relembrar o regulamento e as singularidades de cada campeonato, cuidar da logística e preparar um briefing para organizar a equipe durante o fim de semana. 

2. No autódromo -sem dúvida é a fase mais intensa e, muitas vezes, exaustiva. É o momento em que o engenheiro tem a função de organizar e supervisionar os mecânicos, buscar o melhor acerto para o carro,  dependendo do piloto, da pista e das condições climáticas. Além disso, é importante planejar e gerenciar a estratégia do carro; orientar o piloto  com base nos dados de telemetria, verificar onde ele pode melhorar a pilotagem e ganhar tempo; além de antecipar possíveis problemas mecânicos ou mesmo investigá-los para encontrar as suas causas e soluções. “Também é função do engenheiro a comunicação com a organização da prova, o acompanhamento do carro nas inspeções técnicas para garantir que está tudo sendo feito de acordo com o regulamento e a observação constante para monitorar o que as outras equipes estão fazendo”, explica Telles.

3. Fechamento - a última fase acontece na oficina e no escritório. Aqui ocorre um misto de análise financeira (pois é necessário calcular e pagar todos os custos), comercial (envolve a compra de peças); manutenção dos carros e elaboração de relatórios para se ter documentado tudo o que foi feito.

“Como se trata de uma competição, existe uma constante necessidade de superação e de crescimento técnico. São muitas pessoas experientes e capacitadas, disputando entre si décimos de segundos. Cada corrida é numa cidade ou país diferente. Quando temos corridas em finais de semana consecutivos, por exemplo, voltamos de viagem no domingo à noite (ou na segunda), na terça já começa uma nova preparação. As corridas de longa duração são ainda mais cansativas. Para uma corrida de 24h é preciso ficar acordado quase 40h, sob pressão e sem margem para erro”, acrescenta.

A oportunidade profissional na carreira de Telles surgiu de repente. “Tornei-me amigo de um dos fundadores da Porsche Cup Challenge Brasil e mais tarde soube que, antes de criá-la, ele havia trabalhado em algumas provas 24h de LeMans, nessa mesma equipe em que estou hoje, e que mantinha uma boa relação com Franz Konrad, dono da equipe. Pedi uma indicação e tive muita sorte de a equipe estar precisando de um engenheiro naquele momento. Além disso, eles disputavam a Porsche Supercup e a Porsche Carrera Cup Deutschland com exatamente o mesmo carro com que eu já trabalhava no Brasil”, conta.

Planejamento de vida e carreira

Antes disso, o profissional trabalhou como freelancer na Trust Engenharia e fez estágio na Valeo. “Foi na última série da  Mauá, em 2012, que comecei a trabalhar como engenheiro freelancer na Porsche Cup Challenge Brasil, sendo esta a minha porta de entrada para o automobilismo. No começo trabalhava apenas nas corridas, mas com o tempo fui ganhando mais espaço, trabalho e responsabilidades. Também fiz algumas corridas na Stock Car, Mercedes-Benz Challenge e Copa Petrobrás de Marcas, sempre como engenheiro freelancer”, acrescenta.

Durante sua graduação no Instituto Mauá de Tecnologia, o profissional considera fundamental a experiência que teve no Aerodesign. “Recomendo fortemente a participação dos alunos nas atividades de competição acadêmica. Dediquei-me de corpo e alma durante três anos  a essa disciplina. O Aerodesign foi um divisor de águas na minha vida profissional e acadêmica e me ensinou verdadeiramente como trabalhar em grupo, como defender um ponto de vista com fundamentos teóricos e práticos, ter responsabilidade, cumprir prazos, gostar de estudar e,  o mais importante de tudo, aprender a estudar sozinho”,  comenta o engenheiro.

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