Como a alta do dólar pode afetar a população?
A alta do dólar causa impacto em diversos setores da economia
Pela primeira vez em mais de dez anos, o dólar fechou e mantém-se com cotação acima de R$ 3,00. A taxa de câmbio tem mostrado instabilidade, pressionada pelas incertezas da economia brasileira e mundial, desde o fim de 2014. A previsão é a de que a moeda estadunidense continue valorizando-se nos próximos meses, pois. além dos ajustes fiscais anunciados nos dois primeiros meses do ano, os indicadores e as perspectivas econômicas do Brasil não são boas.
Isso ocorre porque, como estamos vivendo um momento de dúvida, os investidores optam pelo dólar, por tratar-se de um ativo seguro. E, com isso, a cotação dispara. O dólar pode encarecer ainda mais, diante da moeda brasileira, caso a intervenção anunciada pelo Banco Central para o início do segundo trimestre realmente chegue ao fim. Se isso acontecer, o dólar tende a subir ainda mais, porque o Banco Central deixará de vender e diminuirá a quantidade de dólares disponíveis no mercado.
O cenário econômico sempre promoverá situações de prós e contras, podendo gerar ganhos e perdas para os seus agentes. Mas quais são os principais prós e contras?
PRÓS
- Exportação: para quem exporta, o cenário é favorável. A moeda estrangeira valorizada torna o produto brasileiro mais competitivo e as vendas crescem no exterior. Os lucros são em dólar, o que torna os resultados mais interessantes quando feita a conversão em real.
- Valorização do produto nacional: como o valor dos produtos importados sobem, ficam menos competitivos e aumenta a preferência dos consumidores pelos produtos nacionais.
- Investimento externo: a alta do dólar favorece o investimento externo no País, tendo em vista que muitas empresas nacionais são compradas por outras estrangeiras.
CONTRAS
- Aumento dos custos para a indústria: o dólar funciona como um indexador na economia. Com a alta da moeda frente ao real, o custo de matéria-prima e componentes industriais torna-se mais caro, o que acaba afetando diretamente a indústria e o comércio.
- Impacto na dívida: as dívidas públicas e de grandes corporações também estão atreladas ao dólar. A valorização da moeda estrangeira, nesse sentido, implica aumento do valor dessas dívidas.
- Redução dos lucros das multinacionais: as filiais de multinacionais no Brasil lucram em real e depois remetem os resultados para suas matrizes com os valores convertidos em dólar. Os lucros acabam encolhendo.
- Balança comercial: em linhas gerais, a alta do dólar prejudica as importações e beneficia as exportações. Tendo em vista que o Brasil tem importado mais que exportado, o impacto será negativo na balança comercial. Cabe ressaltar que temos gerado recorde de saldos negativos históricos.
Mas quais os impactos nas finanças em se tratando de pessoas físicas?
Reajuste nos preços de alguns produtos, como: pães e massas (já que parte do trigo é importada), azeites, vinhos importados, bacalhau e alguns itens de higiene, como desodorante. A dica é optar por produtos nacionais.
Os aumentos de preços dos produtos na prateleira do supermercado e combustíveis pressionam os índices inflacionários internos (IGP, IGP-M, IPC, IPCA etc.), dificultando o controle inflacionário do governo e possivelmente promovendo a elevação da taxa de juros para conter o aumento do consumo.
Apesar da disparada do dólar nos últimos dias, não há motivo para entrar em desespero nem cancelar a viagem. É importante pensar em formas de contornar a situação para amenizar os impactos financeiros desfavoráveis.
Qualquer tentativa de prever o comportamento do aumento ou redução de taxas do dólar neste momento é meramente especulativa, porém o cenário político e econômico que o Brasil está vivendo permite-nos opinar que dificilmente as taxas irão declinar em curto e médio prazos.
Artigo do Prof. Norberto Giuntini, superintendente Financeiro do Instituto Mauá de Tecnologia.
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