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INFO MAUÁ Mauá
edição 55 - setembro de 2014

Como o período de pré-eleição pode afetar o Brasil economicamente

2014 já começou com os preparativos e expectativa com relação à Copa do Mundo da FIFA, mas esse não seria o único evento que afetaria a economia do País. O período eleitoral  aproxima-se  e a escolha pelo futuro presidente pode influenciar investidores.

Restabelecer a credibilidade, aumentar os investimentos em infraestrutura, equilibrar as contas públicas, corrigir a estrutura de preços relativos e assegurar consistência nos programas sociais são os cinco desafios que o candidato que vencer a eleição presidencial, em outubro deste ano, deverá enfrentar. "Já estamos convivendo com períodos de oscilações na bolsa desde o final do primeiro semestre deste ano, correlacionadas  com as expectativas de continuidade ou não do atual governo. Essa opinião está materializada no comportamento das variáveis macroeconômicas que indicam um ambiente de negócios, para o próximo governo, pior que o atual ", explica prof. Ricardo Balistiero, economista e coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia. 

O falecimento do candidato Eduardo Campos alterou o cenário e é preciso acompanhar as próximas pesquisas, segundo o especialista. "Uma possível vitória de Marina Silva gera uma percepção mais positiva do mercado com relação ao futuro da economia, porém de forma mais contida por causa  dos desafios a serem enfrentados e de incertezas quanto ao cumprimento de todos os compromissos assumidos durante a campanha", acrescenta. 

Os últimos resultados do PIB - Produto Interno Bruto ? apontam para uma recessão técnica, o que gera menos oportunidades de emprego e um cenário menos promissor. ?Neste ano, especificamente, temos um fator novo em relação aos últimos períodos eleitorais. O comportamento dos indicadores do mercado de capitais indicam uma animosidade com o governo federal, resultando num aumento da desconfiança e a redução do otimismo em consequência da leitura de que há um perfil intervencionista do atual governo", esclarece o prof. Balistiero.

O pessimismo não é exclusividade de economistas. Uma pesquisa realizada em maio pela Experience Club, plataforma de networking e negócios, aponta que, arguidos 80 presidentes e diretores executivos, 38,8% enxergam o PIB crescendo 1% em 2014 e, com relação à inflação,  45% deles esperam o IPCA acima de 7% ao final do ano - o teto da meta estabelecida pelo governo é de 6,5%. 

O prof. Balistiero lembra que o período de eleições gera forte pressão para o  aumento dos gastos públicos visando ao aquecimento da atividade econ? ?mica, ainda que nas próximas semanas a presidente deva enfrentar um período de eleições, com o país registrando um PIB - do segundo trimestre com recuo de  0,6% ante o primeiro - que revisou um resultado de janeiro a março, ante o quarto trimestre de 2013, de 0,2% para -0,2%  ?Caso o governo promova o aumento de gastos, isso elevará o endividamento e restará, ao próximo ocupante da cadeira presidencial, a conta para pagar", alerta o economista.

O ano de 2014 está-se mostrando um ano ruim para o crescimento, com a inflação perto do teto da meta, num cenário muito próximo da tão temida estagflação. O próximo ano promete ser tão ruim quanto - ou pior- em relação a essas variáveis, pois deverá haver aumento de preços administrados que o governo tem segurado, tais como energia elétrica e combustível. Para o prof. Balistiero, a solução estrutural para tais questões passa por medidas que promovam o crescimento sustentado da economia, tais como a elevação da produtividade, a volta aos investimentos, a redução do grau de intervenção do estado na economia e a inserção do País nas cadeias produtivas globais, com a retomada de parcerias estratégicas com os maiores mercados consumidores do planeta e a abertura de novos canais de comercialização dos produtos nacionais.

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