Moedas virtuais já são realidade, mas ainda geram discussão quanto à sua
aplicabilidade
A Bitcoin (BTC) é uma moeda virtual que permite transações de valores em todo o mundo e pode ser
usada para compra, venda e transferências pela Internet por meio de uma rede de compartilhamentos, sem necessitar de que uma
instituição financeira regule as negociações. Criada em 2009, pelo programador japonês Satoshi Nakamoto, a moeda que compete com
outras semelhantes como Dogecoin, Litecoin, usa criptografia, maneira de codificar a informação de forma que só o emissor e o
receptor consigam decifrá-la, para prover funções básicas de segurança, como assegurar que as bitcoins sejam gastas somente pelo
dono, evitando gastos em duplicidade.
"A moeda virtual pode ser usada como poupança para uma futura viagem aos Estados
Unidos, por exemplo. Para isso, você cria o seu próprio câmbio on-line na compra das bitcoins em reais e retira o valor investido
em dólar", explica João Carlos Lopes Fernandes, professor do curso de Engenharia de Computação do Instituto Mauá de Tecnologia.
O valor de uma Bitcoin pode variar de acordo com o país em que ela é comprada. No Brasil, cada bitcoin custa R$1.522,00; nos
Estados Unidos, US$ 608.
Atualmente, diversas transações, como a compra de automóveis e de artigos eletrônicos e
financiamento de campanhas, já são realizadas com moedas virtuais no exterior. Um dos mais recentes exemplos da aplicação dessa
moeda foi a ida da equipe jamaicana de bobsled à Rússia, para disputar as Olimpíadas
de Inverno. Uma página de doações arrecadou o equivalente a 30 mil dólares no dinheiro virtual, valor que pagou parte da viagem e
dos equipamentos. No Canadá, existem caixas eletrônicos fixos, uma forma de trocar Bitcoins pela moeda nacional e ainda sacá-las.
Há poucos desses caixas pelo mundo, mas há a intenção de expandir para outros países.
A Virgin, empresa do Virgin
Group do setor de transportes, planeja realizar, daqui a alguns anos, viagens ao espaço e, quando o fizer, também aceitará os
pagamentos das viagens em Bitcoins, segundo o criador da empresa, Richard Branson. Os valores exatos não foram mencionados, mas
certamente serão bem variáveis, dada a instabilidade da moeda.
O futuro dessa moeda ainda é incerto. Após a falência da
MtGox, uma das maiores redes para a troca de Bitcoins no mundo, em 25 de
fevereiro deste ano, o cenário ficou ainda mais nebuloso. O fato ficou conhecido como o maior roubo de moeda virtual da história e a
notícia fez com que os preços da Bitcoin caíssem 22% em 24 horas.
No Brasil, as moedas criptográficas aparentemente ainda
não atraem tanto interesse. Segundo a R18, empresa especializada em análise de comportamento de indivíduos na Internet, que avaliou
as postagens feitas por internautas do Brasil no Twitter e Facebook entre 17 de fevereiro e 13 de março, menos de 8 mil postagens
sobre esse tema foram registradas. Apenas para efeito de comparação, o anúncio do PlayStation 4, em 20 de fevereiro do ano passado,
rendeu mais de 86 mil tuítes apenas na data, o que indica que as moedas criptográficas ainda não atraem a atenção dos
brasileiros.
Para o prof. Fernandes, o uso da moeda ainda é distante, devido a diversas razões. ?Este é um método
volátil. Nele, não se tem total segurança no valor investido. Além do que, como qualquer conta na Internet, o sistema pode ser
hackeado?, explica. No Brasil, uma das questões comportamentais apontadas pelo especialista é o hábito de se utilizar o cartão de
crédito nas compras feitas pela internet. ?Com essa prática tão comum não temos a necessidade de ter outra moeda?,
encerra.
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